POSTERIDADE
«Vede, Ninfas, que engenhos de Senhores,
O vosso Tejo cria, valoroso,
Que assi sabem prezar com tais favores»
Luís de Camões
_Mundano a quem favores o mundo tem,
Que breve é a tua glória. Por final,
Teu festejado corpo de mortal,
Em silêncio, co'a terra ajusta bem!
Humano deserdado em todo o bem,
Que não no génio teu, em que um caudal
De Amor, de altura, de ânsia, de ideal,
Favores de eternidade já contém!
Diversos andais, nas voltas do destino!
Aquele a quem o mundo entoa um hino,
Ao mundo o cala o baque dum caixão;
Aquele a quem a terra não merece,
O Porvir, juiz justo, o enaltece
E a clara voz lhe atende por lição.
Maria Antonieta Fernandes
Correio do Ribatejo, pag. 12, de 12/06/1998
