domingo, abril 19, 2026

CANÇÃO DA ÚLTIMA ESPERANÇA

Rompa-se o corpo e fique
O centro de seu centro.
Que então se verifique
Nua a alma lá dentro.
     
Mas nua nem que seja
No rictus de ironia
De uma boca que beija
Como quem se desvia.
     
Que só se verifique
O centro do seu centro 
Se, morto o corpo, fique
Nua a alma lá dentro.
     
   Carlos Lemonde de Macedo

 

terça-feira, abril 07, 2026

ANIVERSÁRIO

Dálias, tremei nas hastes gloriosas!
Torcei-vos, girassóis! __vinde-a saudar! 
Aves, cantai as árias maviosas!
Astros, fitai o seu divino olhar!
     
É hoje o seu aniversário! Rosas
Brancas, tombai-lhe os pés, quando passar!
Jasmins, abri as urnas melindrosas
E deixai-a de perfumes inindar! 
     
De joelhos, a sorrir, vede-a que passa,
Anfitrite cristã, cheia de graça,
Adorável, divina aparição,
     
Como a Madona das antigas telas,
Com a fronte no azul, cheia de estrelas,
E um lírio de oiro em sua ebúrnea maõ!
     
                                 António Feijó