domingo, abril 19, 2026

CANÇÃO DA ÚLTIMA ESPERANÇA

Rompa-se o corpo e fique
O centro de seu centro.
Que então se verifique
Nua a alma lá dentro.
     
Mas nua nem que seja
No rictus de ironia
De uma boca que beija
Como quem se desvia.
     
Que só se verifique
O centro do seu centro 
Se, morto o corpo, fique
Nua a alma lá dentro.
     
   Carlos Lemonde de Macedo