quinta-feira, julho 09, 2015

ESPUMA

Nas horas más em que a tristeza pesa,
fecho os olhos e sonho um mar todo d'espuma,
não há musica igual à voz em que ela reza
em pétalas de choro a cair uma a uma...
     
Espuma a abrir ao sol em corolas que morrem,
em jardins de mistério a soluçar na bruma,
eis o que eu queria ser! Enquanto as horas correm,
é esta a minha dor: ser como tu, espuma!
     
E sem ter uma mãe que me console e adore 
e sem ter um amor para beijar-me os olhos,
ser uma pobre flor em poeira nos escolhos...
     
E viver e morrer sem que ninguém me chore,
tendo toda a beleza e toda a alvura
a rolar numa onda cheia de doçura...
     
               António Patrício

8 Comments:

Blogger Portugalredecouvertes said...


obrigada pela visita !
um poema cheio de frescura mergulhado nessa espuma :)
cumprimentos
Angela

8:14 da tarde  
Blogger ReltiH said...

MUY BELLO TU TEXTO.
ABRAZOS

3:17 da manhã  
Blogger Graça Pires said...

Um soneto ao mesmo tempo musical e melancólico. Como a espuma do mar. Como a espuma dos dias.
Um beijo.

11:35 da manhã  
Blogger CÉU said...

Olá, querido amigo Manuel!

Como está?

Li o soneto publicado (não gosto do termo postado), k é triste e onde o autor tanto se lamenta, e fiquei com sabor de espuma cinzenta nos sentidos.
Espuma branquinha, como a do mar, que é a essa a k o poeta se refere, essa sim, nós todos queremos, mas é difícil termos vivências, alegrias, assim, como ela.
Pensemos, então, na espuma de um beijo. Que doçura, que alvura, que mistura e que ternura!

Agradeço visita e comentário.

Beijinhos e bom fim de semana.

9:05 da tarde  
Blogger Joyce Gomes said...

Uma graça o teu blogue. <3

2:47 da manhã  
Anonymous Marquês do Sado said...

A "Céu" , e sua propaganda !!!!!!

3:28 da manhã  
Blogger Franziska said...

E sem ter uma mãe que me console e adore
e sem ter um amor para beijar-me os olhos,
ser uma pobre flor em poeira nos escolhos...

E viver e morrer sem que ninguém me chore,
tendo toda a beleza e toda a alvura
a rolar numa onda cheia de doçura...

Es un soneto pleno de añoranza con la certeza de la soledad por compañera, triste pero realista reflexión. Me ha gustado mucho. Franziska

10:55 da tarde  
Blogger MEU DOCE AMOR said...

"E viver e morrer sem que ninguém me chore"...

Assim é.

Beijinho doce

4:32 da tarde  

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