quinta-feira, agosto 07, 2014

MORTA !

Havia arrulhos, havia ninhos,
Na transparência d'aquele olhar...
Olhar que os longos, negros caminhos,
Me iluminavam como o luar !...
Havia queixas, meigos carinhos,
Na branca esteira d'aquele olhar !
          Aquela boca, meu Deus, aquela
          boca __ onde os anjos vinham cantar
          Quando por vezes me lembro d'ela
          Inda prosterno-me a soluçar !
          Aquela boca d'onde a procela
          Dos beijos se iam como a cantar.
Um dia arcanjos de asas douradas
Do céu baixaram para a levar
Em nuvens pandas, aurilavradas,,
Do azul marinho, do azul do mar,
Anjos formosos, risonhas fadas,
Todos vieram para a levar !
          Amortalhada, da cor dos lírios,
          Dos brancos lírios junto do altar,
          Parece ainda rezar uns kyrius
          Por entre os lábios a sussurrar
          Branca, tão branca! da cor dos círios
          Que ardem às santas virgens do altar !
Todas as flores cantavam hinos,
Quando a levaram para enterrar !
Caía a tarde __ sons vespertinos
Se balouçavam no azul do ar,
E muito longe plangiam sinos,
Quando a levaram para enterrar ...
          
          Arnaldo Damasceno Vieira
                     1879 _ 1951

3 Comments:

Blogger Crista said...

Ó céussssssssss...que poema mais triste!!!!
Por que será que se perde o que se ama????
Obrigada pela visita e como agradecimento e por ter gostado do que li e vi...SIGO-TE!!!!!!
Abração...

6:05 da tarde  
Blogger Maria Luisa Adães said...

linda a poesia que nos apresenta
e feliz fiquei por se aproximar de mim.

vou tentar encontrar "seguidores"
não o quero perder!

Maria luísa Adães

"os7degraus"

8:08 da tarde  
Blogger Ada Medina. said...

Gracias y bienvenido por mis senderos, la huella que deja en mis diarios tus letras no son comunes, mi amigo. Me fascino el poema, me transporta ta de pronto a un sueño extraño.

5:15 da tarde  

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