sábado, agosto 05, 2006

O MINUETE


Ao canto do salão, olhos vagos no espaço,
Ele em púrpura e ouro, ela empoada à francesa.
O senhor Cardeal e a senhora Duquesa
Assistem, conversando, a um sermão do Paço.

Marca Lucas Javini o solene compasso:
Dança o minuete de Hayda a côrte sua Altêza;
E os dois velhos, lembrando a antiga gentileza
E o tempo em que, amoroso, ele lhe dava o braço,

Balbuciam sorrindo um tímido segredo,
Escondem-se inda mais no biombo, quase a medo,
Como fugindo à luz da sala enorme e acesa.

E, quando um criado vem servir-lhes os gelados,
Surpreende a dançar, velhinhos e curvados,
O Senhor Cardeal e a Senhora Duquesa.

Julio Dantas
1876-1962

39 Comments:

Blogger Saramar said...

Manuel, mas que delícia de soneto!
Eu sempre gostei de Julio Diniz, apesar de ter lido poucos poemas dele.
Fiquei enternecida com este antigo casal dançando o minueto e imaginei como seus olhos devem ter readquirido um brilho também antigo e feliz.
É lindo e romântico.
Obrigada.

Beijos

11:30 da tarde  
Blogger Eternal said...

Que soneto de interessante =)
Beijinho Lunar

12:54 da manhã  
Blogger Freyja said...

hermosos versos para un fin de semana
un abrazo Manuel y que estes muy bien
buen fin de semana


besos y sueños

1:25 da manhã  
Blogger nicinha said...

Looool... tive que ler o título duas vezes... pronto, estou corada
:oP

Vim desejar-te um bom fim-de-semana, e dizer-te que espero já ter o Office amanhã para ver o teu mail
;o)

Ciao...

1:25 da manhã  
Blogger Badanita said...

Manu:
Gracias por tu cariño y el beijo a mi abuelo.
:o)
Beijinhos para voce !!!

2:07 da manhã  
Blogger Deusa Misteriosa said...

Hummmmmm
Eu prefiro uma dança mais sensual...
há luz das velas...
:)))))))))
beijooooooooo

3:50 da manhã  
Blogger Licínia Quitério said...

Vens fazendo uma bela divulgação de um género poético muitas vezes injustamente desprezado - o soneto.
Ainda bem.
Beijinhos.
Licínia

1:09 da tarde  
Blogger Dalva said...

Ai que bonitinhos, os dois! Posso mesmo vê-los... elegantes, cúmplices, amorosos, a provar que o sentimento é eterno.

Beijos!

2:41 da tarde  
Blogger o alquimista said...

Passei por aqui e gostei, volto...

3:45 da tarde  
Blogger AZUL said...

Un soneto delicioso y lleno de armonía como tu espacio Manuel.

Mil beijos.

10:38 da tarde  
Blogger alma said...

Me recordó a un juego infantil que se baila bajo una canción que comienza así:
en un salón francés,
se baila el minuete
;))

10:53 da tarde  
Blogger Abril_de_otoño said...

que bello,
una dulce cancion para el alma,
un soneto que cala en el corazon,,,
de verdad bello,.

besos y saludos desde chile,,,,

cariñoz,

abril.

11:30 da tarde  
Blogger MalucaResponsavel said...

Ola, o soneto é lindo... agr essa dança... lol. bj

12:27 da manhã  
Blogger Freyja said...

muchas gracias Manuel por tus saludos
mi abrazo y un lindo fin de semana para ti
besitos

besos y sueños

1:38 da manhã  
Blogger Marco Magalhães said...

Espaço muito inspirador.

2:30 da tarde  
Blogger Luna said...

Muito bonito, Manuel
Bom domindo
beijinhos

2:44 da tarde  
Blogger Pete said...

Muito bonito esses poema.

Um bom Domingo para si Manuel e um abraço,

Pedro Gonçalves.

4:32 da tarde  
Blogger Sara MM said...

... ainda bem que o U do teu teclado funciona na perfeição!

LLLLOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLL

(desculpa... não resisti! :oD )

Bjss

8:33 da tarde  
Blogger BlueShell said...

Bom vir te ler!

Estive fora uns dias...voltei!
Beijos
BShell
00o0o0o0o00o0o0o0o00o0

8:41 da tarde  
Blogger BlueShell said...

Falei do Mar - Mas eu sou do campo...se vires com atenção verás que eu adoro o campo, as minhas árvoes, a terra que piso, as minhas flores...as serras, as giestas....tudo isso...sou EU!

Beijo, BShell

12:14 da manhã  
Blogger Alexandra said...

Já tinha saudades de vir descansar nas tuas escolhas. Faz-me falta a poesia...

Beijinho

1:25 da manhã  
Blogger Anna D' Castro said...

Que ternura de Soneto! Apesar de ter lido montanhas de poetas e autores portugueses, confesso que infelizmente de Júlio Dantas li apenas a Ceia dos Cardeais, já foi há tanto que mal me recordo e pelo jeito este soneto deve fazer parte da obra. Manuel, obrigada por este banho poético tão gostoso.
Desejos de boa e feliz semana.
Um beijo
Anna

12:18 da tarde  
Blogger MARTA said...

Que lindo - cheio de ternura!
Vontade de lhes oferecer uma rosa!
Gostei muito.
Obrigada pela partilha.
Beijos e abraços
Marta

1:41 da tarde  
Blogger Heloisa B.P said...

BELISSIMOS SONETOS que por AQUI "CANTAM"!!

Muito Obrigada por TUDO* que me tem gentilmente, enviado!

Fica um abraco agradecido!
Heloisa B.P.
**************

8:15 da tarde  
Blogger marie.l said...

je n'ai pas traduit, mais je t'envoie un amical souvenir à l'occasion de mon retour...

8:56 da tarde  
Blogger Luisa said...

A Saramar confundiu Júlio Diniz com Júlio Dantas mas não faz mal. Sempre fui levada a desprezar o Júlio Dantas porque os seu inimigos o achavam "pioroso" e muito obediente ao status quo vingente. Mas com tudo isso não posso deixar de gostar da ceia dos cardeais e de outras obras no género.

1:52 da manhã  
Blogger Poemas e Cotidiano said...

Manuel: Isso eh uma preciosidade da lingua!
Que coisa mais linda, ficar imaginando essa cena.
Tudo antigo era tao mais romantico, e tao mais bonito!
Um beijo meu amigo!
E como diz sempre vce: fique bem!
MARY

3:58 da manhã  
Blogger Xica said...

Não deve haver nada mais ternurento do q o carinho entre dois velhinhos.

11:33 da manhã  
Blogger sofyatzi said...

É sempre muito agradável passar por aqui. Que belo soneto!!

3:12 da tarde  
Blogger dulce said...

Delicioso !!!!

6:25 da tarde  
Blogger an ordinary girl said...

Exceptuando as crianças sorrindo rindo brincando..., nada me enternece mais do que um casal de velhinhos de mãos dadas, ou abraçados, ou apenas se olhando amorosamente.
Só podia achar lindo, este poema.

Um beijo.

6:58 da tarde  
Blogger elkinha said...

"E o tempo em que, amoroso, ele lhe dava o braço(...)"

lindo poema...

12:50 da tarde  
Blogger Dalva said...

Oi, meu querido amigo!

Eu ri muito com os seus rodeios ao explicar o pecado do casal de velhos! Sabe, há uma idade em que nada mais é pecado... Eu estava "a ler", como vocês dizem (nós aqui usamos no caso o gerúndio) o livro "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini, e, num certo ponto ele conta que seu pai dissera que o único pecado é ROUBAR. Todos os outros pecados seriam uma espécie de roubo! Legal, não?

Abração da Dal - sp brasil

7:49 da tarde  
Blogger vero said...

Que lindo soneto!!!
Beijos mil***

8:06 da tarde  
Blogger delusions said...

Que poema mais ternurente e enternecedor adorei, também não conhecia bem Júlia Dantas. Parabéns pelo blog.*

9:35 da tarde  
Blogger o alquimista said...

Passei para te deixar um beijinho

10:15 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Oi menino, um belo poema. Querido, me inspirei e atualizei meu aroma, te espero por lá. Um beijo com aroma

11:03 da tarde  
Anonymous TEMP_NUA said...

Não foi meu endereço em meu comentario, o comentario acima é meu TEMP_NUA

11:05 da tarde  
Blogger ≈♥ Nadir ♥≈ said...

um suave aroma a romantismo...
Beijos

1:06 da manhã  

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