terça-feira, maio 03, 2016

NA ERMIDA

_«Senhora, ouve o meu brado, escuta o meu lamento
E salva o meu marido, o pai dos meus filhinhos !»
     Responde sibilante o assoviar do vento,
     E das ondas o choque, em fundos torvelinhos.
    
_«Senhora do Refúgio, ó mãe do Livramento,
Traz-nos o nosso pão,  dá-nos os seus carinhos !»
     Responde da gaivota o guinchar agoirento
     Soam na lagem fria uns passos miudinhos...
    
Há três dias que reza e a mesma raiva expele
A voz do temporal. E a onda embravecida
Salpica irreverente a negra cruz da Ermida.
    
E a criança que chega, a face descomposta,
Diz-lhe a chorar: «Ó mãe não rezes mais por ele
Que o mar vem de lançá-lo agora mesmo à costa».
     
                 João Correia Ribeiro

6 Comments:

Blogger ANITA said...

Beautiful poem♥

6:26 da tarde  
Blogger Maria Rodrigues said...

Nostalgico e belo poema.
Rezamos quando as tempestades da vida se abatem sobre nós, mas nem sempre as nossas preces são ouvidas.
Um abraço
Maria

10:14 da tarde  
Blogger Marisa Raquel Fonseca said...

Lindo e poderoso! bjs
http://cocojeans.blogspot.pt

11:41 da tarde  
Blogger MEU DOCE AMOR said...

Olá:

O mar leva, o mar traz...

beijinho doce:)

3:31 da tarde  
Blogger Ana S. said...

Infelizmente continua a ser uma constante hoje em dia :(

7:42 da tarde  
Blogger Graça Pires said...

Um poema maravilhosamente triste. Gostei muito pelo realismo e pelo sentimento.
Beijos.

12:10 da tarde  

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