segunda-feira, novembro 26, 2012

Á BEIRA DO MONDEGO

Do azul na grande abóboda, espelhada,
campeia a lua e os astros cintilantes;
os pés nas frescas águas murmurantes,
dorme Coimbra triste e sossegada.
 
Há pouco ainda a branda serenada
nos bandolins chorava palpitantes.
Tudo é silêncio agora e dos amantes
não se movem as sombras na calçada.
 
O cais repousa, a riba é solitária,
da ponte nos esguios candeeiros
a luz vacila crepitando vária.
 
Nas curvas lanchas dormem os barqueiros.
O poeta no entanto, o eterno pária,
escuta a voz de Inês entre os salgueiros. 
 
Gonçalves Crespo

4 Comments:

Blogger Mona Lisa said...

A ideia do soneto corresponde á mentalidade do poeta.

Beijos.

9:19 da tarde  
Blogger Cristina said...

Siempre es maravilloso leerte, te dejo un fuerte abrazo!
Te deseo un buen inicio de semana.

12:33 da manhã  
Blogger Ana said...

Mais um poeta pouco lembrado a quem tornas presente !
Um beijo *

12:01 da manhã  
Blogger manuela barroso said...

O realismo da poesia de G. Crespo num belo soneto bucólico.
Bela escolha
bji

12:40 da manhã  

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