sábado, setembro 29, 2012

GLEBA

Lembro esta selva hostil, de espessuras friorentas,
as flores diluviais. Nos seus vãos tenebrosos,
tudo conspira e vence, em lances astuciosos:
répteis, duendes, sezões e as aves agourentas.

Derreiam palmeirais, urram onças sedentas.
Negrejam na água turva os sáurios pedregosos.
Troncos ressumam leite, e cipós ardilosos
engalfinham-se, a urdir redes tentaculentas.

Entre touças de espinho e cardumes de abelhas,
símios, a saltitar, coçam ruças guedelhas.
Uma arara espaneja as cores arrojadas.

Sulcam de neve e sangue aos aningais das vargens
as garças e guarás que namoram nas margens.
Abre a vitória-régia as pétalas rociadas.
 


Corrêa Pinto

2 Comments:

Blogger elvira carvalho said...

Passei amigo. Li o poema, mas bem sabe que eu não sei comentar poesia.
Deixo um abraço e desejos de um bom fim de semana

7:55 da tarde  
Blogger MINHA VIDA DE CAMPO said...

Boa noite, linda poesia, bem ao estilo gaúcho. Ressaltou a fauna com maestria.
Tenha um ótimo início de semana.

3:33 da manhã  

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