quarta-feira, março 21, 2012

SILÊNCIO TRÁGICO

A faina principiou de manhã cedo,
manhã de Junho, quente, abafadiça,
os machados, na arranca da cortiça,
rasgam de cima a baixo o arvoredo.

E o sobreiral vetusto, no segredo
das trágicas paixões, na dor submissa
dos vegetais, dir-se-à que se espreguiça
num êxtase espectral de espanto e medo.

Mas quando ao fim da tarde olho o montado
e vejo em carne viva, ensaguentado,
o velho sobreiral, sinto que encerra,

na tortura sem voz dos infelizes,
a dor que vai do tronco às raízes
chorar, gritar no âmago da terra !

Conde de Monsaraz

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conde_de_Monsaraz

2 Comments:

Blogger elvira carvalho said...

Um bom poema, para comemorar este dia que se convencionou ser de homenagem à poesia.
Um abraço e tudo de bom.

7:51 da tarde  
Blogger Je Vois La Vie en Vert said...

Bela poesia para comemorar este dia !

Conseguiste fazer uma poesia duma emoção que sinto quando vejo estes árvores a nu.

Foste passear no meu "Coffre" que tem estado um pouco abandonado. Obrigada pela tua passagem.

Beijinhos
Verdinha

6:31 da tarde  

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