sábado, junho 03, 2006

LUÍS VAZ DE CAMÕES



Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É um estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade.

Mas ?como causar pode o seu favor
Nos mortais corações conformidade,
Sendo a si tão contrário o mesmo Amor?


.........................._____........................


Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste
Quem nunca deixara nunca de querer-te!
Ah! Ninfa minha! Já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!

Como já para sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam essas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?

Nem falar-te, somente, a dura morte
Me deixou, que tão cedo o negro manto
Em teus olhos deitado consentiste!

Ó mar! Ó céu! Ó minha escura sorte!
Qual pena sentirei que valha tanto
Que inda tenho por pouco o viver triste!


........................._____.........................


Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se d' ua outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que duns e doutros olhos derivadas,
S' acrescentaram em grande e largu rio;

Ela viu as palavras magoadas,
Que puderam tornar o fogo frio
E dar descanso às almas condenadas.


......................._____.........................

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.

De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"

6 Comments:

Blogger Sara MM said...

Muito bonito

E alguns destes sei quase de cor de ouvir a minha linda avó ou a minha mami a "cantá-los" :o)

BJs

9:24 da manhã  
Blogger azoriana said...

Estes são inconfundíveis. Especiais sempre!

3:05 da tarde  
Blogger Isa Calixto said...

Camões eu em jovem tanto li
Vais ver que foi por isso
que fiquei assim...

Um querer e não querer saber de mim
Um amor que é cantado do princípio até ao fim...

Um beijinho de bom fim de semana

4:11 da tarde  
Blogger girassol said...

Camões...
Palavras voam de contentamento, dos lábios de saber dizer, e fazer sentir ao coração, o que os olhos por vezes não querem ver.

Bj

5:15 da tarde  
Blogger heloisa said...

Voltei AQUI* "DE PROPOSITO", porque ja' sabia que encontraria POESIA DA MAIS ALTA QUALIDADE:_*CAMOES*_,ETERNO!
E...OUTROS* DE DIFERENTES EPOCAS E ESTILOS!
Por AQUI* ando,LENDO! OBSERVANDO! E...GOSTANDO, ate' ao momento (presumo, gostarei em "qualquer momento"!!!!!!!!).
Heloisa B.P.
***************

2:17 da tarde  
Blogger freefun0616 said...

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2:55 da tarde  

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